(*) Texto escrito por Luiz Carlos Pereira, autor deste blog.
Nos últimos meses o Brasil inquestionavelmente tem mudado sua percepção de mundo. Pensamos duas vezes antes de tomar decisões, questionamos preços, colocamos em dúvida produtos que nos chegam de forma "fácil", etc. O brasileiro está mais questionador, aguçado de suas convicções e, antes de tudo, exigente.
Nos últimos meses o Brasil inquestionavelmente tem mudado sua percepção de mundo. Pensamos duas vezes antes de tomar decisões, questionamos preços, colocamos em dúvida produtos que nos chegam de forma "fácil", etc. O brasileiro está mais questionador, aguçado de suas convicções e, antes de tudo, exigente.
Um vídeo recentemente caiu nas
graças da internet. Se trata de imagens em que o pastor e presidente da
Comissão de Direitos Humanos, Marco Feliciano (PSC-SP) estava em um avião com
destino a São Paulo e foi abordado por dois jovens - Eric Corazza e Conrado
Ribeiro, ambos de 26 anos, que começaram a cantar a música "Robocop Gay",
do extinto grupo Mamonas Assassinas (vítimas de um acidente aéreo em 1996). Os
jovens, não satisfeitos em cantar em alta voz, ainda chegaram a tocar no
deputado e fazer trocadilhos com trechos da música: "Um Feliciano
gay", no qual o trecho original seria: "Um Robocop gay".
Ao lado do deputado estava o produtor
musical Marinho. No avião, estavam dezenas de pessoas que, infelizmente,
sofreram incômodo que poderia ter sido evitado. Em certo momento do vídeo, é
possível perceber que o passageiro que está atrás de Marco Feliciano fica
bastante irritado e pede aos jovens que parem com a ação. Minutos depois, já
sentados, os jovens começam a gritar palavras de ordem no avião:
"Feliciano, pode esperar, a sua hora vai chegar!".
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| Imagem: Reprodução da internet |
No seu microblog, o deputado
agradece aos passageiros do avião e a Polícia Federal: "Agradeço aos
passageiros do voo AD5019 BSB x GRU bem como a equipe da @azulinhasaereas e o
apoio da Polícia Federal do Aerop de Guarulhos" e ainda destacou o seu
posicionamento a favor da família natural: " Não sou contra gays, sou
defensor da família natural!"
O que se coloca em questão é o
seguinte: Existem formas mais eficazes de protesto, ou todo protesto pode e deve
ser prejudicial?
Cada cidadão tem o direito de
posicionar-se sobre qualquer tipo de assunto, levando suas insatisfações e propostas
as mais diversas instâncias da justiça, para que se exponha as vergonhas e
mazelas de um país. Porém, a liberdade de um indivíduo não pode ser expansiva
ao ponto de ser prejudicial a liberdade de outros indivíduos, o que ocorre não
somente em protestos descontrolados, mas também no carnaval, em cultos
religiosos e etc. É no mínimo desrespeitoso a atitude dos jovens que,
propositalmente, atrapalharam o sossego e o silêncio de tantos outros passageiros.
Lutar por causas e ideologias é
necessário para o avanço de um país. O que não é necessário é a agressão moral
e emocional que, não só o "alvo", mas como boa parte dos passageiros
sofreram com a paz interrompida em nome de uma ideologia falsa - até porquê
quem realmente é engajado em causas sociais e minorias, sabe devidamente
protestar e cobrar os seus direitos. E para evitar que este texto seja tachado
de tendencioso por não explorar os "reais" motivos do
"protesto" dos jovens, eles se colocam dizendo: " "Eu
protestei como um cidadão que tem vergonha de ter um deputado como ele, disse Ribeiro
em entrevista ao UOL.
Reafirmo que todo o cidadão, seja ele gay, hétero, protestante, católico, ateu, branco, negro, etc, tem o direito e o dever de expandir suas insatisfações, criar e organizar mobilizações sociais em prol de mudanças reais, todos tem liberdade e margem política para isto - vivemos em uma democracia. O que é de se pensar - e duas vezes - é se a ação desenvolvida por alguns irá atrapalhar aqueles que, realmente, querem paz.

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